10/11/2016

Nu Controle

Pelas horas arrastadas,
Ps desejos desencontrados,
Os corpos enrolados,
A língua dos outros,
A confiança abalada,
O orgulho exacerbado.

Ninguém é dono de ninguém,
Quem é que quer ser domado?
Também, com todos os poréns,
Por que insisto, instinto equivocado?

Me dá tua mão,
Me tens nu controle,
Assumo ser ludibriado.

Não diga não,
Nu controle,
É melhor ser usado.

Queria mesmo era ser guiado,
Puxado pelas garras do prazer,
Desse fundo do poço enfeitiçado,
Gostar, ser gostado e não ter.

Queria mesmo era não ter existido,
Não ter vivido o desgosto de sumir,
Dessas horas nas quais sou afogado,
Nesse poço sem água, só lágrima a me derreter.

Me dá tua mão,
Me tens nu controle,
Prefiro ser por ti controlado,

Me dá tua mão,
Nu controle,
Não quero ser desligado.



9/24/2015

Looprisão


onde se perde o que se ama,
nasce o ódio.
onde deitas, em qual cama?
fuja do óbvio.
se a taça faz o sol mover,
ou nenhuma tentativa,
traz prazer,
se na pele fica o que sobrou,
ou nenhum esforço,
exemplifica.
onde se prende o que se ama,
nasce o receio,
onde choras, por quem declamas?
algoz devaneio.
se tudo gira pronde for,
como, quando, onde,
aonde foi o meu amor?
se logo clamas por querer,
só uma resposta explica:
aquela que o tempo levou.

Sou prato vazio


passou e deixou,
o que precisou,
foi levando o que vi,
viveu em mim,
até partir.
hoje a parte que te sobra,
faltou na minha mesa,
se juntou com a sombra,
para o banquete na minha alma.

Eternalive-se


tenho certeza.
estou vivo.
nesse instante.
trancado nessa casa,
preso por vontade,
de até quando não sei.
mas estou vivo.
eu sinto.
de novo e de novo e de novo.
estou vivo.
eu vejo.
olho por olho no olho.
nessa caixa.
estou vivo.
tenho clareza,
até quando não quero.
embaixo de tantos palmos.
soterrado de futuros impossíveis.
mesmo assim,
estou vivo.
de novo e de novo e de novo.
estou vivo.
pelo que sinto.
olho por olho no olho.
estou vivo.
por toda extensão que é o pensar.

Enraizado


qual é o nome da lágrima
que cai no teu quintal
e gera vida nesse deserto
de tão sublime torpor?
que som faz o céu
quando acorda a aurora
-e sim, ela se revigora-
embalada na sede da noite?
qualé a hora de chorar,
praquele que em tudo se sente,
-mesmo que nunca aparente-
e só há dor onde quer que vá?
só sabe quem enterrou os pés
só sabe quem viu tudo de viés
só sabe aquele que pecou
só sabe do puro quem o podre tocou
quem sabe só solidão
se sabe só, daqui do chão.

7/15/2015

Pra daqui a 15 anos


Antes de tudo congelar,
Paro aqui,
Bem na tua frente,
Minha melodia.
E depois, se acabar,
Não sofri,
Não tenho endereço,
Sou alegoria.
Por mais certo que percebo,
Minhas palavras,
Fogem daqui.
Pela grade, sou eu mesmo,
Tua cartada,
Vem pra repetir.
Tudo aquilo que fui antes,
Gelo, sombra,
Pedaços no chão.
Promessa-dívida delirante,
Sobreposta,
Morre em mim.
Mas antes de tudo congelar,
Pare aqui,
No meu peito,
Doce rebeldia...

6/25/2015

Queda-Cabeças

pendular
esferas
perdição
soulfrágil

insular
sequelas
resignação
adagágio

que me faz voltar
praqueles dias
longes
naquele quarto

que me diz voltar
naquela hora
onde?
por toda parte.

secular
murmuras
obliteração
nowfrágio

crepuscular
perjuras
inflágil
obstinação.

que me faz crer
doce heresia
mélange
argila, gnaisse

que me constrói,
sou parede
mosaico,
das peças perdidas.

6/22/2015

Ode ao Ca0s


na calmaria que precede a cachoeira,
descalço,
meio corpo dentro do rio -que cruza-
meu inteiro.
soturno,
feito águia em desfiladeiro,
tal como pedra no caminho,
meu receio.
persigo rastros de caças perdidas,
ameno,
todo torpo fora das águas -que regem-
meu caminho.
inesgotável,
luz abominável,
cobre teu universo inteiro.
inesgotável,
mar incontinstavel,
perde só pro tempo.

5/26/2015

Vão em vão




não é força
o que mostra
tão pouco
o que muda
vão em vão
vazio sou
não vou
sair
não é medo
o que fere
tão pouco
o que morde
vão em vão
vazio sou
não vou
sumir
não é fardo
quando cresce
não é pouco
o que sinto
vão em vão
sozinho sou
não vou
vazio.

Carnimersão


nas nuas palavras
duras conclusões
não és o que pensas
não sou o que tenho
em fuga, juravas
pleno saber
pouco que sou
tanto que falta
pela roupa da rua
pura seda invasão
cedo à inversão
que o corpo exala
na pele de outro
carnimersão
mas estarei aqui
sempre que deixar
sempre que pensar
enquanto tiver
mas quando muito for
o teu muito que sobra
nego igual
alma sem fé.

Aceito


certo como peso,
equilíbrio,
preciso,
sob olhos teus.
dois presos
duas mentiras
ensaiando,
o real.
vendaval,
leve o que for,
venha o que quiser.
vendaval,
mil léguas, pronde for,
seja o que vier.
certo de que erra,
solidão,
incrível,
sopra no céu,
cego,
me erra.
mais em vão,
menos igual.
vendaval,
leve o que for,
venha o que quiser.
vendaval,
mil léguas, pronde for,
vou onde estiver.

Da Origem de Tudo


preso num instante,
se percebe o que virá,
passantes, nadapós,
um tanto quanto delirante,
toda uma vida sem voz.
só eu sei o que sinto,
nesse dia de sonho,
quando toco o sal do teu corpo,
quando troco o mal pelo o que sofro,
para não mais acordar.
e pela derradeira vez,
antes do fim desse sopro,
quando tudo mudar para sempre,
quando o mundo engolir a serpente,
juro que vou me jogar.

A Liquidez do Tempo


Na bagunça dessa casa chamada vida,
nada se passa além dos tempos do tempo na nossa cabeça:
Goteja, Escorre, Transborda.
Goteja, Escorre, Transborda.
Goteja, Escorre, Transborda.
Pois goteje, Futuro!
Já que o presente escorre e míngua no passado,
Que transborda exatamente aqui nesse quarto,
Nessa íngua astral onde nem a gravidade sobrevive,
Onde nenhum universo paralelo se desdobra,
Onde a peleja da consciência se finda.
Eis então a liquidez do tempo,
Perdida em pleno nirvana,
A solidez é a hástea nuvem-berçário,
É de lá que viemos,
É pra lá que vamos sem saber.

5/13/2015

Por onde não (ou, das negativas diretas)


não tenho ninguém
nem faço questão de nada
nem da paz que tens
nem da morte que afaga
não sofro também
não peço perdão
não peco em vão
não falo mais nada
não que eu seja,
nem que eu me sinta,
nem que você desapareça.
 
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